sábado, junho 21, 2008

fragilidade do Estado

Diz o primeiro-ministro, Sócrates, que sentiu a fragilidade do Estado perante a manifestação de força dos camionistas... Não se percebe. Onde esta fragilidade está mais patente e há muito tempo é noutras coisas:
  • - nos manuais escolares, encontra-se cada vez mais publicidade encapotada a marcas para "educar" desde cedo as crianças e jovens para a dependência do consumo... sem o Estado com vontade ou força para representar o interesse de pais e educadores, diante da força do... mercado
  • - nos privilégios de que goza o sector bancário e financeiro, diante do resto da economia produtiva do país; como quem se faz cobrar de favores e créditos concedidos em períodos eleitorais; como quem tem a classe política "na mão";
  • - na incapacidade do Estado português para resistir ao mínimo capricho de Bruxelas, por mais idiota que seja - desde logo a sanha higienizadora e normalizadora
  • - na incapacidade (e falta de vontade) para atacar e inverter a actual situação de gravíssimo "inverno demográfico".

sexta-feira, junho 20, 2008

Portugal perdeu?

ou... a selecção portuguesa de futebol perdeu? Ou em clima mais aldeão "os nossos rapazes lá perderam"? Também não subscrevo que uma campanha futebolística se transforme em "grande desígnio nacional" - subscrevo inteiramente o "sexo dos anjos" citando o blogue 1bsk.

Mas saúdo o relatador que (no rádio ou na televisão) se saiu com esta: "Portugal perdeu, ou por outra, a selecção portuguesa perdeu...". Ainda há esperança! Já é um progresso, embora também se possa (mal)dizer que "enquanto ganhávamos, era Portugal que ganhava. Na hora de perder, foram os jogadores e o treinador... ou ,mais especificamente, o Ronaldo que não rendeu, o Scolari que não preparou, o Ricardo que não estava lá"...

Sim, parece-me que Portugal perdeu... mas não ontem! Tem vindo a perder a Paz de espírito, a tranquilidade de consciência e um certo "estar-de-bem-consigo" que nos vinha ajudando a transcender-nos nos últimos anos, muito fruto de um sentimento de grande união nacional (salvo seja). Por que razão, não se viram desta vez tantas bandeiras nas janelas? Por que não se respirava um ar de tanto optimismo como das passadas duas vezes?

Pode-se alegar que, em 2004, o campeonato era cá e o enorme esforço do país na organização tinha o seu escape naquele mês dos jogos... Certo. Mas em 2006 não foi cá... e também o entusiasmo foi bastante maior que agora, parece-me. Que aconteceu então? Será que a situação económica está muito pior do que então? César das Neves em artigo recente chama a atenção para alguns indicadores que desmentem uma degradação real e generalizada da economia portuguesa, apesar de um evidente "afundamento" da classe média.

Que foi então? "Perdermos" Durão Barroso para a comissão europeia? A organização da "America's cup" para Espanha? Perdermos o Jorge Costa, o Luís Figo e o Rui Costa para a selecção nacional ou os Madredeus e o Eugénio de Andrade para a cultura nacional? Ganharmos o Deco e o Pepe mas perdermos a Maria João Pires para o Brasil? (com notória vantagem para eles...)

Portugal vive estes dias, este último ano, como a selecção parece jogar: de consciência pesada, com a angústia e intranquilidade de quem anda de mal com a Vida, de mal consigo mesmo. E quem assim anda, não consegue... o que empreende, as pequenas ou grandes coisas que se propõe realizar competindo com outros. Pode-se dizer que há países e povos que conseguem render quase o mesmo nessas condições. É verdade para outros, mas não para nós. Nós somos aqueles aos quais "o fraco Rei, faz fraca a forte gente".

Nós somos aqueles cujo "Rei" - desde 2005 - o que quer para Portugal é um país cada vez mais envelhecido, com menos crianças, com menos "famílias tradicionais" a empatar-lhes os planos "progressistas" de mais e mais abortos, mais e mais laicismo de Estado, mais e mais divórcio simplex, casamentos homo, menos padres nos hospitais, menos religião, menos santos e nenhuns crucifixos na escola pública, menos "moral" nos currículos. E quando toda a sanha do poder está em retirar a moral ao povo, não é surpresa que este... desmoralize!

Desde há um ano que Portugal vive uma situação de surda "guerra civil", como a de 1832, com portugueses a matar portugueses... covardemente nas clínicas do aborto e até nos hospitais públicos. Desde há um ano que o Estado porfia em atacar a consciência ética dos médicos e enfermeiros, pressionando de forma inaceitável os códigos deontológicos das respectivas ordens profissionais. Desde há um ano que a palavra "imposto" tem uma componente de sangue que Portugal não experimentava dolorosamente na sua consciência ensanguentada, desde a guerra colonial. Hoje pagamos impostos - sem alternativa possível - sabendo que esse dinheiro é usado para liquidar irmãos nossos de dez semanas, se calhar até de mais... Para liquidar o nosso futuro, portanto.

E querem que nos unamos em torno da selecção, se alguém nos pôs já - e da forma mais violenta - "portugueses contra portugueses"? Querem que na euforia duma campanha futebolista, entretanto interrompida sem glória e sem grande brilho, esqueçamos a campanha de mentiras que nos impingiram para fazer passar a outra "interrupção", que não é interrupção nenhuma? E se dessem a referendar aos portugueses uma "interrupção das participações nos campeonatos de futebol" que... significasse afinal não participar em mais nenhum? Mas não, no futebol a interrupção do "sonho português" de ontem significa uma nova oportunidade já em Setembro, com o arranque da qualificação para o "mundial". Nos referendos à "vida humana", pelo contrário, todos os eufemismos são permitidos - e uma "interrupção" ou até um "tratamento voluntário da gravidez" (como anunciam impunemente as páginas de alguns jornais sem Valores) significa "acabou-se", "morreu", "tudo está consumado".

Mais profundamente do que a "crise dos combustíveis" ou o "afundamento da classe média", é esta "guerra civil" que está a matar Portugal, a esvaziar-lhe as creches e infantários por todo o lado e a encher-lhe a selecção e os "quadros de pessoal" de (benvinda) gente nascida em outras terras... e de que precisamos por conscientemente deixarmos secar a nossa terra e saquear o nosso mar.

Mas se tanto mal nos pode chegar pela porta mal-guardada dum "fraco Rei", anime-nos essoutra esperança de que por um "forte Rei" o nobre povo se possa reencontrar consigo mesmo, nação valente e imortal(?). A "nova Águia" tem-se feito voz dessa promessa renovada em silêncio à mesa das casas portuguesas durante os sessenta anos dos Filipes ou "a catástrofe" com Junot. A promessa de que, qual Tigre da Malásia...
... Portugal não morreu. Portugal não morrerá!

quinta-feira, junho 19, 2008

Congresso PSD, crise social, Irlanda e Velada proVida, RCP 19.06

  • Congresso PSD em Guimarães: interesse moderado... no tempo dos congressos electivos a emotividade era outra; embora à custa do poder real do militante...

  • Vale a pena reflectir sobre esta análise de João César das Neves: «A VERGONHA DA AUTÊNTICA CRISE SOCIAL - [...] a crise que sofremos é bastante mais subtil e complexa do que as abordagens comuns asseguram. Existem muitos sinais, não de um agravamento do fundo da escala social, mas de sérias dificuldades nos extractos imediatamente acima. A nossa crise social está na classe média. Uma parte importante da população portuguesa, que tinha algumas posses e muitas ambições, acreditou nos discursos que os governantes andam a produzir há dez anos. Apostou na educação, comprou casa e carro, endividou-se ao banco. Depois veio o desemprego, doença, trabalho precário, prestações crescentes. Em vez de subir, caiu em grandes dificuldades. Normalmente ainda tem património, a casa hipotecada, carro velho, mas não sabe o que porá no prato esta noite. É uma pobreza envergonhada, desiludida, revoltada. Este é o verdadeiro rosto da nossa crise social.
    As políticas contra a pobreza não vão aliviar as dificuldades. Como os responsáveis, que criaram a situação, ainda não a perceberam, conceberão medidas complexas, mas ao lado dos sofrimentos. Alvoroçados, não pelo problema, mas pelo ataque político, proporão programas que calem os críticos, sem resolver o drama.

  • Os Irlandeses disseram não - Porreiro, pá! À recorrente tentativa de manipular resultados, interpretando intenções, recorrerão agora tentando que o referendo se repita. DoPortugalProfundo sagt: «O federalismo político europeu não tem viabilidade popular: deve manter-se a Europa das Nações com união económica e monetária. União económica e monetária, sim; união política, não. Sem directório político das grandes potências e com a liberdade dos povos. »

  • Extraordinário que, apesar de 80 a 90 da representação parlamentar irlandesa, ser favorável ao sim... nas urnas este teve pouco mais de 46%. Também lá o mesmo fosse entre representantes e representados; o que nos vale é uma sociedade civil consciente, crítica, informada, e forte;

  • Uma prova de que por cá a sociedade civil também se mexe e está atenta é a “Velada pela Vida” de 25 de Junho pelas 21h30 frente ao Hospital de N.S. Da Oliveira em Guimarães. Afinal parece que nem todos se esqueceram de que o aborto faz vítimas – os bebés e as mães, e a sociedade e o Estado têm de encontrar outras respostas – que não o aborto - para as dificuldades reais sentidas pelas mães, pelas famílias.

segunda-feira, junho 16, 2008

As razões do Não irlandês

1. Os eleitores irlandeses consideram que o tratado de Lisboa é praticamente ilegível [...];

2. Os irlandeses não gostam da ideia de perder o controlo sobre a sua soberania, a sua economia, os seus valores culturais. Também não gostam de pensar que alguém lhes irá impor políticas sobre temas particularmente sensíveis como sejam a eutanásia ou o aborto;

3. Os cidadãos da Irlanda têm os mesmos receiso que os restantes europeus: inflacção, taxas de juro altas, combustível a preços elevados, desemprego. Alguns temem que este (o desemprego) aumente se o IRC para as empresas estrangeiras aumentar e elas mudarem de país.

-------------------------------

Alguns criticam o fim anunciado da tratado de Lisboa, "apenas" pelo voto de um país em 27. Mas o certo é que os irlandeses "falaram" por muitos cidadãos europeus que, em outros países se viram privados da palavra a dizer que, como em Portugal, inclusive lhes fora prometida na última campanha eleitoral...

Daí que hoje, na Europa, muitos de nós se sintam um pouco irlandeses também!

--------------------

Alguns destaques do DN de 14 de Junho de 2008, pág.s 2 e 3

Não - 53,4%

Sòcrates assume derrota pessoal. «Porreiro, pá!»

Mr. No - Declan Ganley, lider do Libertas

sexta-feira, junho 13, 2008

Não

... disse a Irlanda! Como alguém dizia... "porreiro pá"!

------------------

Agora... será desta que os líderes europeus começam a contar com os cidadãos para uma construção europeia bottom-up, e para a subsidiariedade enfim?

quinta-feira, junho 12, 2008

Irlanda, combustíveis, Velada pela Vida, RCP 12.06

  • O caso recente do bebé que “ressuscitou” (vd. Blogue portugalprovida) ou o caso de morte cerebral que recuperou para uma vida normal impõem-nos uma revisão dos critérios médico-legais da Vida. Talvez a questão utilitarista (e por vezes monetarista) do transplante de órgãos deva ceder lugar ao primado do Direito à Vida do doador... antes de o ser. É que em tudo isto exerce uma obscura mas poderosa pressão o factor económico. Levantou-se essa questão aquando do assassinato da religiosa que em Moçambique mais activamente denunciava os “caçadores de órgãos” a soldo de grandes clínicas europeias e americanas... O que mudou?

  • a “Velada pela Vida” de 25 de Junho pelas 21h30 frente ao Hospital de N.S. Da Oliveira em Guimarães. Afinal parece que nem todos se esqueceram de que o aborto faz vítimas – os bebés e as mães, e a sociedade e o Estado têm de encontrar outras respostas – que não o aborto - para as dificuldades reais sentidas pelas mães, pelas famílias.

  • Crise dos combustíveis: estamos a entrar no "cada um por si"... camionistas, pescadores o que reivindicam é isenções e atenções... para si. Cada um tenta desenrascar-se como pode, salvar-se a si e deixar o “regime geral” pagar a crise. Antes pintavam-se os muros a exigir aos ricos que pagassem a crise... Agora, sem sujar os muros (e nesse sentido vamos melhor), exige-se isso mesmo ao contribuinte... Então e os professores, escolas de condução, advogados, vendedores ambulantes, pequenos distribuidores, comerciantes, tantos e tantos profissionais que também dependem dos transportes para trabalhar? Também vão ter ISP reduzido? Ou há moralidade ou "comem" todos... Também pode acontecer que estes (seguramente a imensa maioria) optem por acatar serenamente o que o governo decida agora e... prefiram manifestar-se mais tarde no momento das eleições! Vamos mal quando, em vez de enfrentarmos juntos as dificuldades entramos no “cada um por si” - e já começámos há algum tempo: O “cada um por si” de algumas mães que abortam os filhos como quem bebe um copo de água (algumas já vão no terceiro e quarto aborto legal – e a lei ainda mal fez um ano...; o “cada um por si” dos políticos que reclamam para si privilégios e reformas escandalosas; o “cada um por si” das grandes superfícies que à volta secam o comércio tradicional; o “cada um por si” dos sindicatos dos que têm emprego e esquecem que certas exigências que fazem são pão para os seus e fome para os outros (para os desempregados) – para quando os sindicatos de desempregados? Já há o FERVE para os “recibos verdes”. Pode ser um começo, quando este se sentar à mesa da concertação social...

  • Os Irlandeses estão neste mesmo dia a referendar o Tratado de Lisboa. A sociedade está dividida sobre o tema. Registamos o quase silêncio da imprensa portuguesa sobre o assunto até hoje e perguntamo-nos se tal será inocente. É bom ver que em pelo menos um país os políticos não se atreveram a passar por cima dos cidadãos, prescindindo de os atender como aconteceu em Portugal. Interessante será acompanhar o que sucederá se o povo irlandês vier, escandalosamente, a contrariar a expectativa e a pressão de Bruxelas. Se o princípio democrático vale de facto alguma coisa, também seria interessante analisar a que ponto a comissão europeia se manteve perfeitamente neutra e isenta neste processo. Instâncias que volta e meio multam os governos se calhar também mereciam às vezes que lhes aplicassem multas. Depois de um longo processo de formação de opinião, parece que os irlandeses inicialmente inclinados para aprovar o tratado (como aqui já referimos) agora pendem para o NÃO. Se tal se confirmar (e amanhã o saberemos) essa será a melhor lição que os cidadãos algumas vez deram ao directório de Bruxelas, que mesmo depois do não da França e Holanda à primeira forma do tratado (constituição europeia), insistem em pôr as coisas segundo os seus termos e não segundo os termos dos cidadãos. Uma honra para Portugal onde vive o herdeiro da dinastia real irlandesa – os O'Neill que à cultura portuguesa deram já um grande poeta, Alexandre O'Neill, e ironicamente o famoso poema do “Cherne”, a cuja sombra se cunhou a alcunha do actual senhor Europa. Senhores da Europa, façam o favor de seguir o verdadeiro Cherne, o Cherne de O'Neill e recordem os Princípios - Participação, Subsidiariedade, Verdade e, já agora, Humildade.

segunda-feira, junho 09, 2008

Estado de Direito ou... Direito à Indignação?

«Portugal é um Estado de Direito» assegurava hoje o Ministro do Interior. (hoje está na moda recuperar as designações do Estado Novo, seguindo o refrescante exemplo do Sr. Presidente da República) Mas exactamente desde quando é que o é? Certamente depois do buzinão e bloqueio da ponte Salazar, digo 25 de Abril, em 1995 por camionistas-da-raça-d'antanho com a participação de destacados líderes do PS.

Senão como se compreenderia que o Sr. Ministro do governo PS, Dr. Rui Pereira, justificasse a ordem para a utilização da força contra os camionistas-da-raça-d'hoje?

E todos os que então teorizaram sobre o direito-á-indignação, calam-se hoje? Porque será? Não será por o governo hoje ser do PS, pois isso seria sectarismo. Então só pode ser por - talvez - o Estado de Direito para os camionistas-da-raça-d'hoje não tutelar com o mesmo... Direito os camionistas-da-raça-d'antanho.

E se há aqui subtilezas do Direito que urge tirar a limpo, então não será demais consagrar a este problema o dia de amanhã e chamar-lhe justamente o Dia da Raça: o dia de glorificação da valente Raça dos camionistas de antanho e de hoje que veio substituir os capitães na vanguarda do descontentamento do povo. Ontem contra o próprio Cavaco - hoje contra Sócrates. Toda a gente percebeu o sentido em que o Sr. Presidente recorreu ao termo "raça", menos o B.E. - o qual, sendo da oportunista raça política que é - da oportunista raça política Bê É - não perde a ocasião para tentar explorar o que julgou tratar-se de uma gaffe. Nem o S.O.S. racismo levou para esse malévolo sentido a evasiva do Sr. Presidente. Mas compreende-se que escapem aos trotzquistas do B.E. as subtilezas e finas ironias com que o Sr. Presidente procurar dar um ar de graça à cinzenta política portuguesa. Um ar de graça... estratégica, certamente. Passada a fase da "cooperação estratégica", impunha-se ensaiar um novo conceito para o segundo mandato. E parece que já começa a esboçar-se uma linha...
----------------------
Mas regressemos aos nossos heróis do dia - os camionistas que resolveram deixar de se mostrar... simpáticos. Se já os camionistas-d'antanho não foram pecos*, os de hoje não lhes ficam atrás, ao vencerem, além do medo do papão-socrático, o clima de passividade que o poder supunha garantido pelo momento futebolístico. Com a selecção em prova na Suíça, e o governo a ameaçar com todo o peso da Lei e do Estado de Direito, é qualquer coisa de épico haver ainda alguém que lhes responda: "o Estado de Direito - se quiser sê-lo - que mostre o seu temível poder... baixando o preço dos combustíveis".


* português d'antanho

Eleição do «Mais Velho» - 2008

*repost da Nova Águia*

«Nem é tarde nem é cedo!» pensei, ao deparar com mais um post sobre a CPLP na Nova Águia. E aqui estou a pôr em palavras uma ideia que ignoro se outros a tiveram ou até escreveram já - não seria a primeira vez que mais do que uma pessoa agarrava e tomava por sua uma dessas "ideias que pairam" e pertencem ao mundo, neste caso ao Quinto Império. E chega de falar da ideia - mais convém que ela fale de si.

Olá comunidade de pensadores de língua portuguesa
Olá movimento internacional lusófono
Oi a todos e, por todos, olá Nova Águia

Já nos temos cruzado e acenado nos altos céus que são os nossos, né? Eu sou a ideia de uma "comunidade de povos de língua portuguesa", sou a ideia de uma comunidade de povos, de uma comunidade de muitas e desvairadas gentes e, a meu modo, de um certo Império do Espírito Santo. Voo muito e muito alto. Por vezes tento poisar numa e outra terra. Tem sido mais difícil que pousar numa por outra alma... ou pena.

Ao contrário de ti, que do ninho onde nasceste levantaste o olhar e abriste asas para voar, eu do alto onde me criaram, vivo para pousar onde me recebam. Daí que uma das últimas formas que assumi para me verem os humanos foi esta de CPLP - Comunidade de Povos de Língua Portuguesa. A CPLP - Comunidade de Países que aí criaram já me vai abrindo pistas. Mas, para muitos corações lusos, coisas «de Países» são coisas de políticos. E os povos, ao contrário dos países, em vez de assentarem num princípio territorial de fronteiras divisórias, polarizam-se em torno de uma cultura e Valores identitários - que depois podem ser partilhados sem deixar de ser próprios.

É para aí que aponta meu voo. Aponta para o dia em que, na terra dos Homens, os PLPs (povos) - com ou sem os seus países e políticos - formem a sua comunidade com o cimento de uma consciência partilhada tão forte como a dos "brancosos" de certo «Ensaio sobre a Lucidez». E elejam anualmente o seu "Mais velho" cuja única atribuição será a de levar por toda a parte a minha Mensagem, o meu Espírito. Como fazer isso? Para começar pode-se fazer uma votação virtual. Logo nos centros do Movimento Internacional Lusófono espalhados pelo mundo, podem os cidadãos manifestar por escrito a sua escolha. Qualquer grupo poderá propor personalidades dos cinco continentes. E quando fazer essa escolha? Porque não começar a votação no dia 10 de Junho, o dia da morte - ou talvez não - do grande Camões?!...

E porque não pensar-se que, de futuro, o presidente da CPLP possa vir a ser eleito directamente pelos cidadãos?... Quanta revolução nesse simples acto.

----------
nota: «mais velho» é um adjectivo, com base num uso tradicional, hoje usado em Angola para qualificar pessoa de autoridade moral e sabedoria, credora do respeito de todos.

quinta-feira, maio 29, 2008

PPV publica carta aberta aos candidatos a Presidente do PSD

Considerando que:i) O défice de confiança dos cidadãos nos políticos e na política afecta todos os intervenientes e a qualidade da nossa Democracia, resultando em larga medida do abandono de uma política de valores (expressos em Cartas de Princípios), em favor de uma mera gestão de interesses e clientelas;

O movimento Portugal pro Vida convida todos os candidatos à liderança do PSD
[...]
- a assumir o compromisso de trabalhar para o aprofundamento em concreto, na acção parlamentar e nos programas a apresentar aos cidadãos nas próximas eleições para a Assembleia da República e para o Parlamento Europeu, dos seguintes princípios:

[...]
4. O Princípio Democrático, como garantia da participação por igual de todos os filiados na organização e na escolha dos objectivos do partido, segundo princípios de subsidiariedade, participação e democracia inclusiva;

Texto integral em:
http://portugalprovida.blogspot.com/

quarta-feira, maio 28, 2008

Plano tecnológico, PR em Braga, Tratado de Lisboa, Intervenção da Igreja (RCM 29.05.08)

No final do ano passado, em Gouveia, o Sr PR perguntava “porque razão os portugueses não estão a ter mais filhos” - levando, dentre muitas, uma "interessante" resposta do “ciclone dos Açores” Manuel Melo Bento, (vd. arquivo de 24.11.2007). A APFN e todos os grupos pró-Vida têm vindo a alertar para as consequências da política social e demograficamente suicida que tem vindo a ser seguida – sem qualquer receptividade do governo PS-BE, como seria de esperar.

___________________

Agora, em momento de crise de combustíveis com 21 aumentos desde o início do ano, uma greve anunciada pelos pescadores a partir de 6ª feira, boicotes dos consumidores a circular na net – visando as principais petrolíferas; o país em grande queda de confiança e muitos economistas a confirmar um futuro difícil... vamos tomar a peito o desafio deixado pelo Sr Presidente da República numa recente visita a Braga, integrada no dito roteiro para a ciência. Reflictamos, pois, porque é que há em Braga apenas 5 empresas de excelência para mostrar e não 100. Atrevo-me a alvitrar algumas possibilidades de resposta, inspiradas num caso paradigmático que conheço bastante bem. A moda, bem sabemos, é nanotecnologias – e tudo o mais vá pró inferno... Mas nós podemos perguntar: o que é que as nano-tecnologias já fizeram ou farão pelo país para justificar um tal investimento publico deixando para trás o mar e as florestas?... Num país que arde como o nosso, as iniciativas e empresas de prevenção florestal sobrevivem com tanta dificuldade porquê?

A agenda tecnológica do país obedece às necessidades desta sociedade ou, para fazer boa “figura” nas conferências de ministros europeus, dirige-se a necessidades dos países mais avançados, procurando respostas para os problemas daqueles e deixando o nosso na mesma? Sei do que estou a falar – conheço projectos bastante bem financiados na área-coqueluche das nano-tecnologias e que pretendem desenvolver soluções que... já se encontram disponíveis! No mercado americano ou japonês? Não, no mercado português!

A dado passo, o anterior PR apadrinhou uma iniciativa da COTEC, a qual depois de lançada no terreno e de investimentos feitos por uma empresa do norte, acabou por cortar mais ou menos discricionariamente o piloto a norte, mas mantendo os do centro e sul... Agora a administração fiscal vem apropriar-se de mais de vários milhares de euros de PECs entregues. Supostamente o PEC devia ir sendo reclamado à medida que era pago: os do exercício de 98 em 2000; os de 2002 em 2003; os de 2003-2005 até 90 dias após a cessação da actividade. O IVA ver-se-á. Para isto, mais valia à administração não perder tempo e ocupar pessoas a escrever códigos tão extensos do IRC, do IRS ou do IVA – bastaria vir armado até às empresas e às pessoas e dizer “mãos ao ar!”. Ao Observatório da Ciência (público) que ainda hoje (em nome do INE) pede com carácter OBRIGATÓRIO o preenchimento do INQUÉRITO ANUAL (e quantos teóricos de gestão de C&T não terão sido doutorados com dezenas de inquéritos ao longo de 10 anos...) certa empresa respondeu: «A empresa já não existe, pelo menos no entender das finanças que - por essa razão - se recusam a devolver os Pagamentos Especiais por Conta (PEC) que de boa-fé lhes entregámos desde 1998 até 2005. Se para o Sr. Ministro da Ciência Tecnol. e Ens. Sup., esta ainda existe, então pedimos-lhe que, antes de nos exigir o preenchimento, connosco colaborem reivindicando a devolução de um elevado montante indevidamente retido pelo Ministério das Finanças»

Eis, Senhor Presidente, algumas das causas porque não encontra mais do que as tais 5 empresas e mesmo essas sabe Deus com que ajudas e balões de oxigénio. E há ainda o caso SIRESP arquivado pelo Ministério Público – eram 350 milhões de euros para comprar tecnologia quase toda estrangeira a um consórcio mais ou menos português. Aquilo é que foi um grande “plano tecnológico”!


Onde estão agora os defensores forenses dos lutadores pela liberdade? Temos ex-presidentes vivos que elegemos diante do currículo da barra durante o tempo da outra ditadura... mas que se calam perante a trituração jurídica a que vem sendo sujeito António Caldeira doPortugalProfundo. É muito conveniente falar da outra ditadura para nos distrair desta, falar do passado, de Abril, para nos esquecermos de que Abril é passado... estamos em Maio!

___________________

As manifestações a favor do português na Galiza e as declarações do líder da esquerda catalã - O vice-presidente do Governo Autónomo da Catalunha, Josep-Lluís Carod Rovira (tão comentadas no Publico online - Dirigente fala em complexo histórico e paternalismo, Catalunha garante que "Espanha ainda não assumiu independência de Portugal” , 18.05.2008, (262 comentários até 20.05)

___________________

Os Irlandeses preparam-se para referendar o Tratado de Lisboa a 12 de Junho. A campanha decorre com o Fianna Fáil e o Labour pelo SIM, os socialistas e Sinn Fein pelo NÃO. A 5 de Novembro 2007 havia 25% yes, 13% no, e 62% indecisos. A um mês do referendo, um terço de indecisos.

Os portugueses viram ser-lhes negada essa possibilidade pelos governantes (ditos) democráticos que, sobre isto, novamente lhes mentiram. Em particular os católicos ficaram sem qualquer meio prático de se opor à onda de laicismo europeu que, além do mal que já fez no nosso país, ainda pretende abrir a porta ao casamento e adopção por homossexuais, eutanásia, manipulação genética e experimentação com embriões humanos (em Inglaterra já fabricaram embriões-híbridos, monstros meio-humanos meio-animais).

Que mais espera a igreja portuguesa para mobilizar os cristãos para uma grande campanha de reflexão e resistência? Estará ela ainda do lado da Vida? Ou está à espera de ver o país bater ainda mais no fundo? Pode acontecer que no momento em que finalmente decidir mexer-se... já não lhe prestem atenção os mais activos e inconformados que hoje lhe apelam como quem prega no deserto. Talvez já então sejam pastores sem rebanho, por o terem deixado tresmalhar-se... por terem receado levantar ondas.

A (falta de) coragem da Igreja portuguesa CLERO E LEIGOS INCLUIDOS – mas a hierarquia tem aqui maior responsabilidade! Há tempos um pároco, receando perder freguesia?, recusou-se falar sequer de um abaixo-assinado que corria na terra contra instalação de um centro de aborto na sua paróquia! Leia-se atentamente a entrevista de D. Manuel Martins na revista Única, anexa ao Expresso de 17 de Maio. Neste ano em que se celebra a campanha de Humberto Delgado, recorde-se também a coragem de um D. António Ferreira Gomes diante de Salazar (sob a divisa “de pé diante dos homens, de joelhos diante de DEUS”), de um Padre Cruz diante do laicismo triunfante da 1ª república de Afonso Costa, um P.e António Vieira ao lado dos direitos dos nativos, contra os abusos dos senhores dos engenho, de um D. Manuel Martins diante da fome e da injustiça em Setúbal, de um D. António - Prior do Crato diante do imperialismo espanhol...


Falo aqui bastante da intervenção da Igreja (ou falta dela), porque o actual regime tem muito bem controlado o acesso aos grandes canais de televisão, manietando a sociedade até que esta talvez expluda... por exemplo por causa de uma crise energética. Ora em outras sociedades igualmente manietadas, verifica-se que a voz do clero acaba por ser o último recurso de expressão da vontade de mudança por parte das pessoas. Em Portugal, como se vê pelo drama do PSD, nem os actuais partidos de oposição conseguem manter uma posição de credibilidade e confiança junto dos cidadãos. Para quem se hão-de eles então voltar? Para a DECO? Para a Amnistia Internacional? Para o Banco Alimentar contra a Fome ou a Caritas? Para a AMI? São boas instituições mas pequenas! Para a Universidade? Sobrevive com o garrote do orçamento de Estado (em vez de obrigar os estudantes e todos a assumir uma postura mais responsável e, por isso, mais reivindicativa em prol da qualidade de Ensino... Para o Exército? Nem “passeios do descontentamento” lhes permitem fazer... quanto mais uma “marcha sobre Lisboa”. Na prática só resta a Igreja católica!

«O que vemos praticar em todos os reinos do mundo é que [...] são os ladrões que levam consigo os reis (ou os presidentes) ao inferno. E se isto é assim [...] ninguém me pode estranhar a clareza com que falo e falarei [...] antes (deve) admirar o silêncio e condenar a desatenção com que os pregadores dissimulam uma tão necessária doutrina, sendo a que devera ser mais ouvida e declamada nos púlpitos.»

P.e António Vieira, in “sermão do bom ladrão”


Resta-nos esta esperança de que...

«A verdade, quando impedida de marchar, refugia-se no coração dos homens e vai ganhando em profundidade o que parece perder em superfície... Um dia, essa verdade obscura, sobe das profundidades onde se exilara e surge tão forte claridade, que rasga as trevas do Mundo.»

Rolão Preto

quinta-feira, maio 15, 2008

GSM, Queimas, Fritzl, PSD, labirinto parlamentar, estátua e filosofia (RCM 15.05.08)

Apoio à campanha pelos recarregadores universais – em nome da sustentabilidade, do ambiente – que pode ser assinada em http://www.petitiononline.com/gsmcharg

Já precisou de um carregador de bateria de telemóvel e ninguém à volta tinha um compatível?

Vai guardando pela casa velhos carregadores de que já não se serve, após trocar de telemóvel?

Preocupa-se com os custos económicos e ambientais deste desperdício?

Então leia, assine e divulgue a petição online: http://www.petitiononline.com/gsmcharg

________________________

A propósito do recente desastre em que um estudante regressado da queima infelizmente colheu vários peregrinos para Fátima. Para quando a protecção peregrinos a pé e ciclistas com guias na N1 – pelo menos nas povoações? Há anos iniciei um abaixo-assinado sem grande resultado – mas vejo com agrado a ideia retomada pelo Reitor resignatário do Santuário de Fátima Cón. Luciano Guerra. E porque não uma semana académica simultânea em todo o país? Há anos o Prof. Carlos Borrego tentou isso com outros mas encontrou forte resistência. Qual o interesse nacional em que os estudantes possam fazer o circuito das queimas, com claro prejuízo do seu trabalho académico?... Será o interesse do lobby Sagres-SuperBock. Não basta o circuito dos festivais de Verão? Uns têm republicas das bananas – estaremos nós a entrar numa república da cerveja?

Como vai a escala de gravidade do mundo: na passada edição da sábado, o caso Fritzl ocupava da pag. 48 a 60; mais a crónica de Miguel Pinheiro na pag. 6 e parte do espaço de opinião de José Pacheco Pereira (p.13); Pelo contrário o caso da mãe alemã que que terá congelado 3 filhos recem-nascidos em Wenden Mollmicke apenas uma pequena referência. Conclusão: na “ética” vigente, aborto ou infanticídio precoce são “fait divers”. Matar já está abaixo da violação na escala da gravidade... na medida em que a cotação da Vida Humana desceu ao nível mais baixo de sempre, absoluta e inapelavelmente relativizada.

Crise no PSD: Estando o PSD e Democracia portuguesa como estão, esperava-se que um grande partido de oposição “fizesse mais pela vida” no sentido de recuperar o crédito da sociedade (para si e para a política em geral) ensaiando formas de democracia interna mais aberta, mais participativa, mais permeável à sociedade e, simultaneamente, mais preocupado em valorizar o seu património genético de valores e princípios. Falamos de um partido que se diz ou dizia herdeiro do Personalismo Cristão e da Doutrina Social da Igreja – cito Zita Seabra no livro “foi assim”. Hoje o PSD é o lugar da incoerência onde se digladiam todas as derivas. Que sentido faz continuar a insistir na “união do partido”, quando se sabe que a água e o azeite não se podem misturar? Na história do PSD os momentos de clarificação foram ocasião de defecção de pseudo-notáveis, mas de reaproximação às bases e adesão de independentes valiosos como Carlos Macedo e Natália Correia. (Pensamos no congresso de 1978 com Sá Carneiro a desbaratar o grupo das “opções inadiáveis”).

O povo devolve em apoio o respeito que se lhe tem – como Roma, não paga a traidores. E de que se há-de falar senão de “traição à matriz” quando nos informam que alguns deputados do PSD por Braga votam reiteradamente ao lado do Bloco de Esquerda contra a Doutrina Social da Igreja, contra a tradição do PSD e a sensibilidade da maioria dos seus eleitores? Gostaríamos de os interpelar daqui directamente pelo nome, mas foi-nos impossível confirmar a informação no sítio parlamento.pt.

Porque nada naquela casa é inocente... se alguém pretender informar-se dos nomes dos deputados que votaram a favor ou contra esta ou aquela Lei embrenha-se num labirinto mais tortuoso que aquele que, na antiguidade, Dédalo concebeu para perder o Minotauro! (Vd. Projecto de Lei 509/X 3 Alterações ao Regime Jurídico do Divórcio)

Os eleitores portugueses tinham direito a este mínimo de transparência que seria o de poder aceder aos registos para conhecer como votaram os seus representantes. O voto processa-se electronicamente – seria muito fácil automatizar essa informação... Mas o sítio parlamento.pt, como os de outras instituições vitais da república, dá a impressão de ter sido criado mais para repetir o que os seus titulares gostariam que pensássemos deles e do seu trabalho do que... para dar aos cidadãos o acesso ao que estes querem verdadeiramente saber.

Projecto de estátua ao Monsenhor Eduardo Melo: votei a favor dessa opção e num local público da cidade de Braga, na recente votação do sítio do Diário do Minho. Votei assim a pensar na cidadania e na liberdade – no exemplo de resistência às tentações totalitárias revolucionárias em 1975. Não o fiz por achar que o nosso saudoso amigo mais velho precise dessa estátua para não ser esquecido por amigos e inimigos. Os que ele ajudou, recordam-no reconhecidos. E aqueles que alimentaram projectos de “ditadura do proletariado – ou do partido único” para o país – que ele eficazmente contrariou – também o não esquecem e, como se viu, correram a clicar na votação do Diário do Minho. Apetece dizer com Chico Buarque: “te adorando pelo avesso”...

Resultado – as anteriores votações jamais ultrapassaram os mil votos (escala local/regional). Desta feita quase se atingiu os 20.000 votos, revelando da forma mais eloquente que seria possível a dimensão realmente nacional daquilo que de melhor Monsenhor Eduardo Melo representa – uma figura incontornável, uma referência, uma ideia de um Portugal fiel a si mesmo e aos seus valores mais profundos, mais português - os únicos que no passado e no futuro lhe abriram e sempre abrirão novas portas. Isto leva-nos àquilo que alguém chamou “o acontecimento cultural do ano” - a recuperação da linha de reflexão da “Filosofia Portuguesa”, da escola portuense – e aí está o primeiro número da revista de pensamento “Nova Águia”, cujo lançamento será no Porto, na próxima 2ª feira pelas 21h30 na Fundação José Rodrigues. É aberto e acredito que será importante.

Se a Águia renasceu das cinzas, percebe-se que também um Portugal proVida pode ressurgir se assim quisermos. Está nas nossas mãos concretizar essa esperança de Monsenhor Eduardo Melo e que é a nossa também – mais do que uma estátua, e sem prejuízo desta, podemos enfim erguer um movimento de pensamento e valores que vá a votos assumidamente em nome dos valores da Vida, contra os quais se mobilizam hoje as poderosas forças ou tendências laicistas e desumanizadoras.

Podemos mostrar como a partir de Braga e do Minho se podem ainda organizar marchas mobilizadoras, galvanizadoras e reorganizadores de um Portugal à beira da dilaceração fratricida/matricida. Falo obviamente do movimento Portugal Pro Vida, ao qual o Monsenhor Eduardo Melo já dera um quase sim a encabeçar a lista de candidatos a deputados à A.R. quando a morte o colheu no passado dia 19 de Abril. As missas de 30º dia na sé de Braga dia 19 pelas 17h30 e dia 25 pelas 11h30 serão duas ocasiões para o recordarmos e nos mobilizarmos para a acção. Em qualquer das ocasiões lá conto estar e encontrar pessoalmente quem quiser juntar-se a nós no movimento a favor da estátua ou... do PPV. Estamos a preparar uma lista de mandatários concelhios e por freguesia, de modo a melhor organizar sessões de esclarecimento e a recolha de assinaturas. Será com estas pessoas que contaremos para a elaboração das primeiras listas de candidatos a deputados. Como se vê, o Minho agita-se, mobiliza-se e está vivo. Não se diga, pois, que a esperança morreu – o futuro constrói-se com o trabalho dos vivos, o exemplo dos que partiram e a força do Espírito.

quarta-feira, maio 14, 2008

Petição a favor da normalização dos carregadores de telemóvel

Já precisou de um carregador de bateria de telemóvel e ninguém à volta tinha um compatível ?

Vai guardando pela casa velhos carregadores de que já não se serve, após trocar de telemóvel?


Preocupa-se com os custos económicos e ambientais deste desperdício?

Então leia, assine e divulgue a petição online: http://www.petitiononline.com/gsmcharg/petition.html

___________________________________________________________
Considerando que
1. Os sistemas GSM (GSM Association) e UMTS/3GSM (3GPP) - que regem os nossos telemóveis – foram especificados e desenvolvidos por programas da União Europeia;
2. A União Europeia tem assumido um compromisso sério com o Ambiente em face do processo de alterações climáticas;
3. Os operadores de redes celulares dependem de licenças públicas dos estados-membros para exercer a sua actividade que inclui a revenda de telemóveis,
4. Com a frequente troca de telemóveis, muitos milhões de velhos carregadores - embora operacionais - vão-se acumulando nos lares europeus;
Os abaixo assinados requerem que sejam introduzidas as necessárias emendas às normas no sentido de, para futuro, a atribuição dos selos “GSM compliant / UMTS compliant” aos aparelhos terminais fique dependente da adopção de um padrão universal para o carregador de bateria, definindo o tipo de conector CC, o valor da tensão contínua e a máxima corrente de carga. Os cidadãos europeus igualmente exigem o reforço da segurança e privacidade das comunicações, da acessibilidade para deficientes e disponibilidade de menus em línguas minoritárias.

quinta-feira, maio 08, 2008

Birmânia, Democracia, Moção de Censura ao Governo (RCM 08.05.08)

Eis que volta o «Espírito de Guimarães». A diferença que faz o “acreditar” e o “querer”... é a diferença entre o Vitória de Guimarães de há dois anos, caindo para a 2ª liga, e o deste ano, ocupando algum tempo e com mérito o segundo lugar do campeonato da 1ª liga de futebol... mantendo as esperanças de chegar à Liga dos Campeões. Força Vitória!

----------

Saudamos os 50 anos da campanha presidencial de Humberto Delgado! Não nos associamos às comemorações no parlamento, na convicção de que - se ele fosse vivo hoje - partilharia connosco uma profunda discordância com o rumo do nosso país, com a partidocracia/plutocracia vigente, com... a "situação". Acreditamos que estaria, connosco, do lado da cidadania activa lutando para mudar o actual estado das coisas - obviamente... sem medo!

-------------

A azáfama permanente do actual regime em demonizar o anterior, pretende porventura desviar atenções deste simples facto: «Democracia portuguesa é uma das piores da Europa» – manchete DN 4 de Maio, citando um relatório de uma ONG internacional. No fundo a nossa democracia não o é verdadeiramente e disfarça, proclamando que já houve pior. Nisso, afinal, faz o mesmo que o estado novo demonizando a 1ª república, esta a monarquia... e por aí fora até aos afonsinhos. Não podemos esperar o momento de ver nascer o dia em que um novo regime – verdadeiramente democrático e aberto à cidadania participativa – venha substituir o actual...

Com os militares de mãos atadas, a universidade entretida a contemplar o seu belo umbigo, os partidos a dividir o “saque” e a igreja portuguesa... à espera de um novo D. António Ferreira Gomes, e os portugueses à espera de D. Sebastião, como aqueles 2 “à espera de Godot”, pouco mais nos resta que esperar que esta 3ª república caia de podre.

-----------

Horrorizamo-nos com a dimensão da tragédia na Birmânia e questionamo-nos, como lembrou o Prof. Carlos Borrego em Guimarães na passada 2ª-feira, sobre as nossas responsabilidades globais pelo aumento de acidentes “naturais” extremos (Katrina, El Niño, buraco de ozono, Chernobyl, Bhopal na Índia, etc...). É nossa a culpa, por não prescindirmos de pequenos gestos quotidianos que podiam fazer toda a diferença. Temos de mudar de atitude, poupar energia, colaborar com as cadeias de reciclagem, usar transportes colectivos quando possível, moderar os consumos de toda a ordem, evitar quaisquer processos de combustão desnecessária – emissora de gases de efeito de estufa). A grande “arma de destruição maciça” está a ser inconscientemente lançada por cada um de nós todos os dias... para a atmosfera!!! E horrorizamo-nos com o cinismo da Junta Militar que, indiferente ao sofrimento do seu povo, tem limitado ou em alguns casos mesmo impedido a ajuda internacional. Depois de reprimirem com sangue a revolta dos monges budistas – e que corajoso clero tem a Birmânia... - eis que oferecem à comunidade internacional o mais “flagrante delito” contra o seu povo, contra a humanidade. Não haverá tribunais em Haia – ia a dizer - ou em Guantánamo para tais usurpadores?

-----------

A propósito de “destruição maciça” - por cá, enquanto o país envelhece, a política de Aborto de Estado, executada a nosso mando e com a nossa responsabilidade colectiva, já poderá ter passado as 10.000 vítimas – não se fala disto mas é só metade dos mortos da Birmânia (estimados a princípio em 20.000). Não ajudamos como devíamos as famílias, as mães, a criar os seus filhos... mas (com os nossos impostos) ajudamos o Estado a abortá-los. Este é um erro muito grave que pagaremos caro. Dê por onde der, acabaremos por arrepiar caminho quando percebermos que só um caminho respeitador da Vida, pode ser um caminho de verdadeiro desenvolvimento e de Paz. Apenas sobre esse alicerce poderemos fundamentar um futuro melhor. Dá que pensar o título do GuimaraesDigital «IVG começa a ser um hábito como método contraceptivo», a propósito de uma senhora que já vai no terceiro aborto legal (e a lei só tem um ano) e várias que já fizeram dois abortos... porque não usam qualquer método contraceptivo. O que dizem agora aqueles que convenceram tantos portugueses a votar "sim" à liberalização do aborto, garantindo que as pessoas eram responsáveis e não abusariam da Lei. Estamos a ver o resultado - era mesmo liberalização! Irresponsável é também o legislador que, lá longe no parlamento, ao ver a sua criação assim abusada nada faz nem fará enquanto não tivermos lá forças políticas eleitas por nós com esse compromisso...

-------------

Quando nas presidenciais de 2006 disse que não me revia na dicotomia esquerda-direita, antes na pro-choice, pro-life, falava a sério. Por exemplo, por estes dias era capaz de votar a favor da moção de censura do PCP, na medida em que é uma evidência que a instabilidade laboral leva ao adiamento da prole (em linha com a origem do comunismo, junto do... proletariado!) - é o drama do precariado que, com a nova legislação laboral, o governo pretende estender dos actuais “FERVES – fartos dos recibos verdes”... a toda a gente, com a sinistra – porque discricionária - figura da “inadaptação funcional”. E está por provar se à maior precaridade corresponderá, em grau minimamente próximo, uma redução do desemprego... Só em Braga as últimas estimativas que conheço andam entre os 15% e os 20% de desempregados...

----------

No fundo o truque socialista é o mesmo da campanha do aborto ou do divórcio – wittgensteinianos jogos de palavras para justificar teoricamente (confundindo) o que moralmente seria inaceitável: o assassínio dos filhos concebidos, o abandono do cônjuge desempregado, o despedimento do funcionário porventura menos graxista! O Estado e a Constituição dão cada vez menos garantias aos cidadãos – de emprego, de segurança, de protecção dos mais frágeis, de inviolabilidade da vida humana - mas mantêm ou agravam o garrote sobre o contribuinte. Ainda chegará o dia em que, como muitos emigrantes que partem, proclamaremos a nossa saturação exigindo um novo regime, um novo pacto social para os portugueses.

-----------

Quanto à moção de censura do PC, previsivelmente só secundada pelo Bloco de esquerda, apetece lembrar-lhes que ainda recentemente, quiçá por imposição da sua velha dogmática, aprovaram duas importantes leis a favor da precarização... Falo da precarização das relações familiares: aborto e divórcio. O povo português vai registando estas inconsistências – quando se entra a considerar umas precaridades boas e outras assim-assim. Ao menos nisso, registamos a grande coerência deste PS do Sr. agente técnico José Sócrates – trabalha afincadamente para mostrar que é a mãe (ou o pai) de todas as precarizações. Resta saber-se o que dirão sobre tudo isto os portugueses no momento de votar...

segunda-feira, maio 05, 2008

república versus monarquia

Uma questão sempre presente nos últimos 100-150 anos, em Portugal, é a do regime: monarquia ou república? Qual dos dois melhor servirá o desenvolvimento da sociedade e a realização da generalidade dos cidadãos? Um interesse evidente desta discussão, para qualquer cidadão preocupado com o estado da nossa democracia, reside no agitar do espectro da "concorrência" diante de uma república adormecida na certeza da sua definitiva(?) vitória de 5 de Outubro e, em muitos aspectos, apresentando evidentes e lamentáveis sinais de corrupção.

Com o advento da república em 1910 e a subsistência dos problemas estruturais e o agravamento de algumas dificuldades conjunturais, os portugueses terão adquirido uma mais clara noção de que a solução para os seus problemas não passa pela adopção, sem mais, do "melhor (e miraculoso?) regime para o país". Isso não impede que ele de facto possa existir e ser encontrado em cada época.

Nos últimos anos, poucas vezes o belo busto feminino da república terá sido tão tristemente arrastado na lama como nesta situação - mais grave pelo seu aspecto simbólico do que por eventuais danos práticos. Falamos do caso do ex-ministro Pina Moura quando este invocava a "moral republicana" para justificar a sua acumulação de funções parlamentares com as funções de direcção do ramo português de um banco espanhol. Disse então - sem despertar qualquer eco de protestos dos "velhos republicanos" - que a Ética republicana era simplesmente a ética da Lei - para significar, assim, que tudo aquilo que a lei explicitamente não condena deve ser considerado aceitável. Ignorou-se, com ligeireza, que essa mesma lei-conveniente para a classe política republicana (que a aprovou) também pode ser uma lei "intencionalmente imperfeita". E com isso se desbarata o principal capital da democracia que é (ou era) a confiança entre os eleitores portugueses e os seus representantes. Esperar-se-ia que, perante casos como aquele, viessem a terreiro exigir maior respeito pela república aqueles que melhor ou pior se vão assumindo como "guardiões" do ideal republicano. Tal não aconteceu, ou disso não deu eco a imprensa do regime! No recente programa "prós & contras" de 10 de Março, não esteve o Presidente da República... mas o Grão-Mestre da loja do Grande Oriente Lusitano, o qual, aliás, foi um digno paladino da ideia republicana, personificando em determinados momentos mais tensos... essa virtude (apenas?) republicana da tolerância.

Do lado monárquico, esteve Paulo Teixeira Pinto - com uma postura muito digna e serena, embora ficasse uma impressão estranha em ver entregue a defesa da "opção emocional" a alguém tão conhecido como administrador bancário e, supostamente, um campeão da racionalidade... financeira. Televisão à parte, verifica-se amiúde que a defesa do "ideal monárquico" se encontra em larguíssima medida confiado às "antigas famílias". Ora isto pode ser indicativo de tudo menos da presença de um verdadeiro e puro Ideal - e sim de um possível interesse directo naquele regime em que as linhagens se possam substituir ao mérito como critério de escolha e ascensão social. Por outro lado, nem sempre a correcção no manejo da língua é aquilo que se esperaria de "conservadores" e cultores da respectiva pureza. Em sua defesa, porém, alega-se que o "fecho de abóbada" do sistema político deve ser incarnado por alguém que, sendo certo que não ascendeu ao cargo por outros méritos que não os do berço (se é que o são...) nem pode ser deposto/confirmado por eleições, pelo menos tem-se por garantido (terá sempre?) que não ascendeu por compadrio, maquinação ou obscura negociação política. Conceda-se até que tal figura, cabeça de uma "república com Rei" como defendia Agostinho da Silva, pudesse enfim defender e estimular todos aqueles que nas instituições públicas ainda resistem à onda laxista e corruptora.

Feitos estes considerandos, vamos deixar aqui algumas questões à reflexão interna e ao diálogo entre os dois campos na esperança de que um tal diálogo possa contribuir para a regeneração do actual regime político em Portugal. Talvez não exageremos ao manifestar a nossa convicção de que nenhum verdadeiro republicano consciente se poderá considerar satisfeito com o quadro que a realidade actual da república portuguesa lhe apresenta; da mesma forma como muitos monárquicos íntegros lastimavam o estado a que chegara a política nos anos que antecederam o 5 de Outubro.


Questões à República

  1. É a República compatível com a ocupação tão prolongada de cargos locais, regionais e nacionais como vemos ou vimos acontecer com Fidel Castro, Salazar, Tito, Alberto João Jardim, Mesquita Machado, Isaltino Morais, Avelino Ferreira Torres?
  2. Como pode a República manter a soberania herdada quando se recusa a referendar o Tratado de Lisboa, receando talvez a reprovação popular da sua preferência por um certo "internacionalismo" que corre com a mesma pressa a entregar Angola, Moçambique... a agricultura portuguesa ou a zona económica exclusiva?
  3. Porque receou a república, contra a inclinação de tantos ilustres republicanos como Guerra Junqueiro, manter a bandeira portuguesa de sempre, impondo como bandeira de todo o país... a bandeira do partido, ou seja, de uma parte? Não bastaria, como nos edifícios públicos, retirar a coroa de cima do escudo?
  4. Como se justifica a subsistência de tanta "hereditariedade" na actual partidocracia republicana?
  5. Como se pode a república auto-proclamar como o regime em que "qualquer cidadão pode tornar-se chefe de Estado" e depois pactua com a eliminação de personalidades do espaço de debate no serviço público de televisão (pública e republicana) durante a pré-campanha eleitoral?
  6. O anterior Presidente da República, Jorge Sampaio, desencadeou, no entender de muitos observadores, quase um "golpe de Estado constitucional" contra um governo com maioria absoluta no parlamento... ajudando o seu partido (PS) a regressar ao poder. É isto a república?
  7. De que forma se conservam (melhor) em República os valores fundamentais de uma sociedade, de uma nação - os seus critérios éticos, o seu impulso solidário, a sua língua, as tradições e cultura do povo e - porque não - das principais instituições nacionais (cavalo lusitano, arte equestre, fado / música e poesia popular, solidariedade inter-geracional, ...)?

Questões à Monarquia

  1. A identificação da monarquia - ou do Rei - com "o povo" será assim tão endémica ou...epidérmica? Afinal não andaram as princesas herdeiras de Portugal a casar sistematicamente com herdeiros... castelhanos, pondo em causa e uma vez perdendo mesmo a independência? Afinal nem na nobreza, nem no povo (o clero estava naturalmente excluído da escolha) havia sangue com qualidade para assegurar a continuidade e qualidade da linhagem?
  2. E para lá das estratégias matrimoniais, mesmo na vivência quotidiana não se praticou em tantas cortes a "traição" cultural ao "seu povo"? Na corte imperial de Viena seguia-se durante certo período a etiqueta espanhola e falava-se a língua de Cervantes, como explicam os guias aos Paços da Imperatriz Austro-Húngara Maria Teresa - nem alemão nem húngaro, afinal... Onde a ligação... ao povo?
  3. E se na sucessão dinástica nos calhasse um pobre incapaz (como já aconteceu, porventura) e que, ao contrário da república, tivessemos de "gramar" a vida toda? Como se poderia o povo ver livre disso sem uma guerra civil como as que tivemos nas épocas de Sancho II, Afonso III, regente D. Pedro, Afonso VI, Miguel I, etc.
  4. Se é certo que "perdemos" em república a administração e a confiança das populações de territórios extensos como Angola e Moçambique, em monarquia não perdemos também o imenso Brasil e essa Olivença que ainda hoje não reconhecemos como parte de Espanha? O que fizemos de errado como povo, e qual a parte do regime político nestes desfechos de concordante efeito prático?
  5. A quem interessa afinal a monarquia? Ao povo ou... ao pretendente à coroa e à interminável comitiva de "nobres" de pergaminhos adquiridos no campo de batalha ou aos balcões "do tesouro" na agonia da 4ª dinastia? Pensarão hoje os portugueses que "já basta de meritocracia" ou, ao contrário, que a doença da política é em grande medida devida à degradação qualitativa das elites dirigentes? Acreditamos nós que algum contributo para uma solução poderia vir da revalorização dos... "méritos de nascimento"?
  6. Outra coisa estranha é a insistência na figura de D. Duarte como herdeiro da coroa portuguesa, quando por outro lado se aponta em abono da tradição monárquica portuguesa o facto de esta ser na letra e, em certos momentos decisivos, também na prática electiva. As cortes de Coimbra não votaram afinal a favor do pretendente (menos "legítimo" segundo o sangue) que melhor garantia a conservação da soberania? Não seria mais inteligente em vez de se afadigar em projector D. Duarte como "o homem certo", não o sendo provavelmente para o Portugal de hoje, procurar antes identificar a figura que, dentro do campo monárquico, melhor pudesse servir Portugal como fiel dos frágeis equilíbrios do sistema político? Não é afinal o "bem de Portugal" e não o "bem do partido (monárquico)" o comum critério fundamental? Ao que parece, ainda "andam por aí" representantes do ramo de D. Miguel.
  7. E não seria este hiato de um século de república uma oportunidade para o campo monárquico se repensar a si mesmo e repensar Portugal? E se foi devidamente aproveitada esta oportunidade, onde está publicada essa proposta de um novo Portugal voltado para o futuro, merecedor da confiança e preferência dos cidadãos? Qual a credibilidade da pretensão de liderança de um Povo no séc. XXI por uma família real que ao longo dos séculos aprendeu a fazer política em regime absolutista (o tal que Salazar teria preferido...) e sem capacidade para se afirmar minimamente no terreno aberto da política democrática? Mal por mal, porventura seria até preferível entregar a coroa portuguesa ao ramo de D. Sebastião que se calhar também já por aí andará também... a vender carpetes de Marrocos. Vemos nisso, pelo menos, uma vantagem. Além do enorme capital de confiança acumulado junto do povo, que tanto acreditou e esperou o seu "Desejado" durante estes longos 430 anos, o "nosso Rei" teria uma outra qualidade nada desprezível: a de saber o que custa a vida, de conhecer o valor do trabalho.

terça-feira, abril 29, 2008

“As alterações climáticas: causas, efeitos e atitudes”, pelo Prof. Carlos Borrego - 5 de Maio

Prof. Carlos Borrego no ciclo de tertúlias no CAVIM

5 de Maio de 2008,
Feira; 21h30

----------------------------
Resumo:
Um dos mais impressionantes efeitos da acção do Homem sobre o ambiente é a mudança climática. Este efeito global é considerado como uma das grandes ameaças ao desenvolvimento sustentável, por pôr em causa não apenas os equilíbrios naturais mas também a segurança de uma grande parte da população.

As principais causas das alterações climáticas encontram-se no aumento das concentrações de um conjunto de gases emitidos pelas actividades humanas e que interferem com os padrões normais de troca de energia por radiação da Terra com o espaço exterior, produzindo o chamado "efeito de estufa". Está demonstrado que a acção humana veio alterar as concentrações, a distribuição espacial e os ciclos de vida desses gases.
Apesar de algumas incertezas, há factos indesmentíveis: os níveis de dióxido de carbono na atmosfera estão a aumentar exponencialmente e atingiram valores nunca antes alcançados. Como vamos actuar? A idade das ideologias está a terminar e a principal política a seguir no futuro é a de salvar o nosso Planeta e a Humanidade: só há uma TERRA!

Nota curricular:
Carlos Borrego (1948), Professor Catedrático de Engenharia do Ambiente da Universidade de Aveiro, foi Ministro do Ambiente e Recursos Naturais (XI e XII Governos) e Vice-Reitor para a Investigação (1998-2002) na UA. É Presidente do Conselho Directivo do Departamento de Ambiente e Ordenamento, onde desenvolve as actividades docente e de investigação, que originaram mais de 400 artigos e 7 livros, abordando problemas ambientais, entre os quais temas como qualidade do ar, alterações climáticas e fogos florestais. É Delegado Nacional ao Programa-Quadro de Investigação (Ambiente) da União Europeia, Director da European Association for the Science of Air Pollution (EURASP) e representante de Portugal em inúmeras comissões científicas e de avaliação (CE, NATO, ESF, ...). Com Director do IDAD-Instituto do Ambiente e Desenvolvimento (unidade de interface da UA), desenvolve a actividade profissional de projecto e consultoria. Foi membro do Conselho Nacional de Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (de 2002 a 2007).

-------------------------------

Local: R. P.e Doutor Manuel Faria, Loja 6 P, (Junto à Rotunda da Universidade)
Guimarães


Mais informações: http://www.cavim.blogspot.com/

quinta-feira, abril 24, 2008

Homenagem a Mons. Eduardo Melo Peixoto - RCM 24.04.08

Homenagem a Mons. Eduardo Melo Peixoto


Partiu no passado sábado do nosso convívio Mons. Eduardo Melo Peixoto, conhecido de todos como Cónego Melo, em virtude dos muitos anos de serviço à Sé de Braga, à Igreja, a tantos quantos o procuravam e... a Portugal. Quem conheceu este homem de diálogo – que certa preguiça mental entendeu classificar de “polémico” - percebeu, bem ao contrário, que se tratava de um pensador claro e um cidadão corajoso – um rochedo no mar da hesitação calculista. Uma referência, portanto, para a acção verdadeiramente libertadora – logo incómoda para certos projectos totalitários – logo... polémica.


ao Amigo

Eu próprio, sou testemunha da sua amizade nestes brevíssimos 3 anos transcorridos desde que em 2005 lhe pedi a assinatura para a candidatura independente à Presidência da República – e ma deu depois de lhe demonstrar a vontade de contribuir para a regeneração da política portuguesa a partir da sociedade civil e em nome de Valores.

Três anos em que pude conhecer a inteligência, a sentido de humor, o arreigado sentido de solidariedade humana e toda uma forma de ser ao mesmo tempo “do alto” e “da terra” que ficou sendo para mim e para muitos, figura típica e exemplar de “bracarense”. Braga fica um pouco mais triste, Portugal um pouco mais desamparado.



ao Homem

Fiquei impressionado com a quantidade de testemunhos na primeira pessoa que ouvi na primeira pessoa desde o passado sábado. Se é de louvar num homem a solidariedade e disponibilidade para o outro, torna-se verdadeiramente desconcertante e, diria, sublimemente cristão que isto aconteça sem que a mínima publicidade seja dada a tantos gestos – deles adquirindo vago conhecimento mesmo os amigos próximos... muitos anos depois.

Quando vemos os nossos sindicatos da Função Pública reclamar contra o aumento da idade de aposentação... e a depressão de tantos no momento em que a atingem, aí fica o exemplo dos oitenta anos do Sr. Cónego Melo, trabalhando a plena carga, caído em serviço e, porventura, pelo serviço.


ao Padre

A homenagem de um leigo. Quando a Igreja dava os primeiros passos na busca do caminho pós-concílio Vaticano II, já Monsenhor Melo abraçara com entusiasmo o Movimento dos Cursos de Cristandade e lhe insuflava espírito vital e... mentalidade cristã. Mais de 50 anos de serviço...

«Felizes sereis quando vos insultarem e perseguirem e, mentindo,

disserem todo o género de calúnias contra vós, porque grande

será a vossa recompensa no céu; ”(Cfr. MT. 5.1-1)


ao Português

Muita gente considera que o princípio do fim da Ditadura Comunista em Portugal terá sido, mais do que quaisquer outros, obra deste homem singular, amado e admirado pelo seu povo de Braga e por tantos portugueses de boa-Vontade, cuja capital importância histórica os seus inimigos, à sua maneira, reconhecem.



Quem assistiu à notícia do seu falecimento na RTP2 (noticiário da noite de sábado, 19 de Abril) notou a profusão de advérbios e PREC-iana adjectivação. A Rádio Televisão dita Portuguesa, quase deu a ideia de ter algum contrato de Outsourcing com o Avante para os noticiários da 2 ao fim de semana (redução de custos?).

A não ser assim, como justificar alguns dos termos utilizados? Começa por classificar de "anti-comunismo primário" e de “extrema-Direita” o grito de Ipiranga dado em Braga contra a instauração iminente de uma Ditadura Comunista em Portugal. Que se saiba, também Sá Carneiro e Mário Soares lutaram contra este projecto e corajosamente o denunciaram ao país. Porque não carregam então também eles os epítetos de “extrema-direita” ou de “primário”? A Mário Soares, ainda o PCP teve de engolir como sapo a dado passo, tapando a cara no boletim de voto. Ao Norte, que então o Cónego Melo congregou e de facto liderou, é que nunca será perdoada, afinal, a sua decisiva eficácia (tal como hoje acontece a Pinto da Costa). Em Lisboa, lá longe, Mário Soares* na Fonte Luminosa avisava que o PS podia paralisar o país... Em Braga, o Cónego Melo proclamava simplesmente que “não temos medo e somos mais” - mais ou menos o mesmo tom, portanto. O resto é sabido da sociologia e da dinâmica das multidões: o povo atende mais aos que lhe estão próximos e aos que verbalizam aquilo que ele mais profundamente sente!

De resto... é teoria do caos: “Uma borboleta bate as asas em Pequim e vem a acontecer um furacão em Nova Iorque”. Para os fanatizados de Nova Iorque (que se fartaram de emitir gases de efeito de estufa para o Katrina) o mais fácil é... responsabilizar a borboleta de Pequim... lá longe, apoiada nos “camponeses ignorantes do norte”!

E a RTP2 levou o delírio ao ponto de atribuir a uma "maquinação da Igreja" (da igreja de Braga?) o enxovalho do Sr. Arcebispo D. Francisco Maria da Silva pelo COPCON no aeroporto de Lisboa - como se os militares do COPCON obedecessem secretamente... ao Cónego Melo. Mas o jornal2 não tem direcção de redacção? Se tem, mesmo que não se revelem as fontes, bom seria que esta assumisse a responsabilidade de tão ousada tese e apresentasse documentos fidedignos para a sustentar diante da História.

Parece-nos que é finalmente chegado o momento de, mais do que erigir estátuas a pessoas, se construir um monumento à Verdade sobre este período recente e tão decisivo da historia portuguesa. Deixo por isso aqui um desafio: o de que me seja enviada toda a documentação relevante relativa a Braga, ao norte, ao país, sobre aquele período histórico entre 1974 e 1980 – panfletos, fotografias, comunicados, discursos, gravações (audio ou vídeo - original ou cópia). Podem contactar comigo através do email indicado no blogue cidadaniapt.blogspot.com ou enviar a documentação directamente para a Radio Clube do Minho ao meu cuidado - Rua Cónego Rafael Costa, 122 - Apartado 6, 4715-288 Braga. O nosso compromisso é o de compilar, organizar e estudar essa documentação, naturalmente com apoio de outros académicos interessados, para depois, justificando-se, publicarmos um estudo documentado que lance luz e documentada verdade – seja ela qual for – sobre um período que é do nosso superior interesse cívico conhecer “em Espírito e Verdade”.

Enfim, o grande pecado deste grande português – para os que gostariam talvez de lhe poder sujar o nome (porque não basta querer) – foi o de, sendo padre, se ter envolvido decididamente na política e tê-lo feito na praça, ao lado do povo... da cidadania anónima e sem outro partido que não seja o da Liberdade. Em 1975, vitorioso, contra a Ditadura comunista. Em 1998, vitorioso, contra a Ditadura abortista. Em 2007, provisoriamente vencido no referendo do aborto, mas logo entusiasmado em 2008 a animar o Portugal pro Vida, entretanto surgido, e em fase de recolha de assinaturas.

_________
* por lapso, em edição anterior atribuímos a Mário Soares o apelo à "Maioria Silenciosa" que, na verdade, pertenceu a Spínola em Setembro de 1974.

domingo, abril 20, 2008

Mons. Eduardo Melo (1927-2008)


Braga, 30 de Outubro de 1927 — Fátima, 19 de Abril de 2008

« Então, baixinho, começou a entoar uma cantiga. Era a que eu mais gostava de a ouvir cantar, desde pequenino. Mas, repentinamente, emudeceu e, dirigindo o seu olhar para o campo, disse a sorrir:
"- Filho! Vê. Teu pai acaba de chegar e traz a coroa de flores de "ipê" amarelo que um dia fez para mim... Vem na minha direcção..."
Inclinou a cabeça e os seus olhos fecharam-se. Silêncio total. Acabou a respiração.
Caminhei em direcção à casa, levando ao colo a minha mãe morta. Silenciosamente, os meus irmãos saudaram-me.
Eu gostava de ter dito, uma vez mais, a minha mãe antes que ela morresse, que a amava.»

Mons. Eduardo Melo, in "Ecos da Vida - por uma sociedade com valores", Ed. I.S.BEnto da Porta Aberta, Outubro 2005, pág. 246


Descansa em Paz, lá onde subiste a dizer a tua mãe, e à nossa Mãe do Céu, quanto as amas

... e pede a Deus por nós, por Portugal, pela Humanidade inteira a quem deixaste por maior herança o teu testemunho e o teu exemplo...

Ecos da (tua) Vida, nas nossas vidas.

quarta-feira, abril 16, 2008

Desertificção... no DIAP e Lei do divórcio (RCM, 17.04.08)


DIAP - "Deserto" da Investigação e Acção Penal

Uma das situações mais graves que vai passando quase em silêncio no nosso país prende-se com a debandada de procuradores do Ministério Público do DIAP para tribunais administrativos comuns (e outros que vão abrindo vagas a concurso). Já estava claro que a luta contra a corrupção e o crime económico não tem especial interesse para a nossa classe política...

Mas agindo assim, até dá a ideia (seguramente infundada) de que o país político possa ser de algum modo o principal beneficiário da "vista grossa" fatalmente exercida por uma magistratura sem meios, sem pessoas e em que os mais experientes são "empurrados" para outras carreiras onde houve, da parte do legislador e do governo, o cuidado de prever a normal progressão...

Pode uma grande cidade dizer que tem um sistema de recolha de lixo, contratando dois ou três varredores para passar de seis em seis meses em cada rua? Dizer, pode. Mas não e sério!

Pode um Governo dizer que está a dar combate à corrupção, criando deliberadamente um contexto funcional como o que presentemente se encontra no DIAP?... Tomemos todos consciência de que os grandes prejudicados disto, não são aqueles magistrados que há poucos dias apresentaram esta situação nos telejornais. Somos nós, é a nossa Dignidade Cívica que sai irreparavelmente lesada.




Lei do Divórcio

Nesta reflexão tentarei, o mais que me for possível, falar como cidadão interessado no melhor para a sua comunidade nacional, e não como um católico interessado (e este interesse não seria mais do que uma mera vaidade) em ver plasmada nas leis do seu país quaisquer contingentes ditames morais da sua igreja.

Admito que os crentes continuarão a ver o casamento como um acto solene, abençoado pelo próprio Deus em que acreditam e, portanto, irreversível. Os portugueses não-religiosos, porém, irão decerto acabar por se acomodar à nova Lei do Divórcio, adaptando gradualmente a sua visão do casamento civil à visão... do legislador. E qual é ela? Pelo que se percebe na proposta do PS e já na recentemente submetida pelo Bloco de Esquerda, trata-se da visão de um contrato denunciável unilateralmente e em qualquer momento: "por simples vontade de um dos cônjuges". Um contrato de onde, uma vez mais, se pretende banir a noção de responsabilidade e compromisso consequente. Divorcio-me porque sim. Aborto porque sim.

- Sim, casei contigo porque me davas segurança. Mas agora, depois do teu acidente de trabalho, estás com 50% de incapacidade... Mas agora estás desempregado(a) e por agora não podes contribuir para a casa... ao contrário de alguém que ontem conheci... Mas agora, olha, engordaste e já não me agradas assim tanto. Mas agora, já que quiseste ter filhos, cria-os tu que eu quero viver a minha vida sem preocupações.

Quando os "engenheiros sociais" do PS no parlamento se propõem moldar a sociedade do futuro sem acautelar os anseios mais profundos (e silenciosos) da maioria das pessoas, preferindo atender a chinfrineira estridente do "Bloco de Esquerda" (de cuja proposta recente acabam por ir a reboque), o resultado só pode ser o aumento do número de divórcios... e a redução do número de casamentos, com a consequente generalização das uniões precárias. Afinal para quê um casamento civil se não dá quaisquer garantias mínimas de respeito pelos deveres mútuos (nem sequer de assistência), custa tão caro e tem atraído tão notoriamente a cobiça do fisco nos últimos tempos? O resultado acaba por ser também o divórcio cada vez mais profundo entre o casamento civil e... o religioso. Parece que o Estado nada aprendeu e pretende regressar ao tempo de antes do imperador Constantino... à acelerada decadência que aquele estadista, temporariamente tentou (e até certo ponto conseguiu) suster, oficializando a moral cristã, designadamente quanto ao casamento e ao reforço da estabilidade familiar, em claro benefício do elo mais fraco - os filhos menores!

E como fica o silêncio do Sr. Presidente no meio de tudo isto, depois de ter apelado tão insistentemente ao reforço da natalidade? Será que o novo regime proposto vai incentivar os portugueses a ter mais filhos e ajudá-los a educar esses filhos na família, depois de tornar tão simplex a sua dissolução? É preocupante tudo isto e, sobre tudo isto, a impotência do Sr. Presidente da República para exigir do governo políticas responsáveis e socialmente sustentáveis. Isto se o presidente deveras acredita nas palavras que pronunciou em Gouveia no final do ano passado:


“Eu não acredito que tenha desaparecido nos portugueses o entusiasmo por trazer novas vidas ao Mundo”

“Por isso, é que eu tenho incentivado muito a actuações de natureza política e de toda a sociedade, para conseguir que pais e mães apostem mais na vida”

“algo está errado num povo que não cuida da sua continuidade”


que está verdadeiramente errado não está no povo, mas na sua oligarquia dirigente. Quando o Estado serve descaradamente a classe política... [...] só resta aos cidadãos desobedecer e resistir. E uma das formas que encontraram foi simplesmente "não dar os seus filhos" à máquina trituradora do corrupto e decadente estado a que chegou esta pobre/podre república portuguesa!
[...]
Senhor Presidente, quando, em último recurso, os próprios juízes se constituem como associação para resistir à tentativa de instrumentalização da Lei Penal a favor dos criminosos pedófilos que irremediavelmente destruíram a vida de tantas crianças à guarda da república e degradaram a Honra de Portugal, resulta evidente a falência da função presidencial. Os cidadãos portugueses deixaram de contar com o seu Presidente como garante da democracia e do país livre que Portugal foi e já não é.





in http://portugalprovida.blogspot.com

No debate parlamentar, falou-se de "contratos". Foi dito que o casamento não é "um mero contrato". Como se o Estado português reconhecesse, na prática, ser mais do que isso... Se considerarmos a estabilidade das famílias como um bem a proteger, respeitar e, na medida possível da sua "legislacção", a promover, quase diríamos que nos contentávamos que o casamento fosse, do ponto de vista do legislador, "um mero contrato". Um contrato em que ambas as partes fossem respeitadas e que, sem justa causa, não pudesse ser quebrado - pelo menos que o não pudesse ser sem justa indemnização da parte contrária. Um contrato, enfim, como tantos outros que se fazem no mundo dos negócios materiais e cuja cessação unilateral pode implicar penalizações contratuais específicas e, na sua falta, ser contestado judicialmente à luz da lei geral.

Não se conhecem poucos casos de abandono do cônjuge ou da cônjuge pelo simples facto de este adquirir ou manifestar uma doença, violando-se assim os deveres de assistência e coabitação. Como se protegerá na Lei portuguesa o casamento de um qualquer simples impulso de egoísmo tardio? Mas para uma larga franja da nossa Assembleia da República, infelizmente, a família só parece existir como o locus da violência doméstica, certamente um mal mas não o único nem talvez o principal.

«A lei só existe para proteger os fracos. Por isso é que, em geral, quando se dilui uma regulamentação se está a criar oportunidades para os poderosos abusarem. Se o divórcio se torna mais célere e expedito, se o casamento fica mais precário e solúvel, isso vai prejudicar precisamente aqueles que mais sofrem nessa relação, as crianças, os idosos, os cônjuges sem meios, doentes, desempregados, etc.

Quanto? Ninguém sabe. O aspecto mais grave é que quem acaba de mudar a lei e promete mudá-la de novo não faz a menor ideia como isso afectará a realidade, porque o faz por miopia, capricho, a reboque e à pressa. [...] Os socialistas actuais, levando o casamento civil a valer menos que a tinta com que está escrito, entregaram de novo à Igreja esse aspecto central da vida. Quem hoje quer casar a sério e proclamar à sociedade uma união sólida e perene vai onde, ao registo ou à capela?»

Esta Lei poderá inclusive levar à recuperação do "casamento em segredo", ou seja, ao casamento simplesmente religioso sem dar conhecimento ao Estado - na medida em que este penaliza fiscalmente mais os casais (casados) do que as uniões de facto, como tem repetidamente denunciado a APFN. E já nem falamos da questão da Socratina caça às bodas!...

O PS elimina a reunião de tentativa de reconciliação: porquê? Porque é espúrio tentar salvar um casamento? Mas... afinal como podia legislar de outro modo que, por exemplo, na lei do aborto também impôs que à mãe não fosse dada informação sobre alternativas ao aborto, mostrada uma ecografia do seu filho de 10 semanas, etc? Este legislador anti-família e anti-Vida sabe muito bem que quanta mais informação for dada às pessoas, quanto mais estas forem convidadas a pensar... menos inclinadas elas se mostrarão a seguir o caminho (sem alternativas) que lhe apontam estes iluminados, estes engenheiros da futura sociedade perfeita que se convenceram estar a idealizar.

Aos que nos convidam com olhos doces:
«Vem por aqui...»

Continuaremos a responder com José Régio:
«
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
Sei que não vou por aí!»