terça-feira, abril 24, 2007

Thoreau, Gandhi, Russel, Cícero, Chomsky, Orwell e Popper X Sócrates

Em dias de perplexidade cívica, apetece regressar a Thoreau e à sua proposta de desobediência civil (tb. em castelhano), inspiradora de Gandhi, de M. Luther King, de movimentos de resistência passiva e oposição à guerra (Vietname, Iraque...)


Ressoa Cícero... O Tempora, O Mores!
Que TEMPO este?
Portugal, que futuro?
Portugal, que novas oportunidades?

Quem nos leva os nossos fantasmas?
Quem nos está a roubar todos os sonhos?
(60.000 novos desempregados do Vale do Sousa, "desenrascam-se" na construção civil em Espanha e... viciam os números do desemprego em Portugal, mantendo-se a ilusão no discurso oficial: "o Vale do Sousa não apresenta taxas de desemprego significativas")






Quem nos delimita os sonhos com 4 linhas de cal? É esse o hectare da nossa liberdade? O palco da nossa efémera existência televisiva?
É esse o relvado terreno duma existência fugaz?









Sem a blogosfera, seriam "a bola", "o record" e "o jogo" os canais da palavra para os filhos do povo?
Na televisão pública alguém fora das redacções decide o que é assunto e quem é assunto. E os jornalistas pagos por nós, tornam-se mero rosto e voz de um poder nú (Russel). É a manipulação dos media (Chomsky), o triunfo final dos porcos (Orwell), dos inimigos da sociedade aberta (Popper).




(f
oto retirada do blogue "democracia em Portugal", por Tiago Carneiro)


E enfim, perante a apatia cívica que se avoluma, vamos lendo o que pudermos... enquanto pudermos... Vamos aproveitando os ensinamentos e o edificante exemplo que alguns políticos de sucesso dão aos nossos filhos.

Realmente...

esforço para quê?
estudo para quê?
mérito para quê?
amor à Verdade para quê?
confiança na justiça para quê?
respeito pela constituição para quê? Mas há algum artigo que não seja letra morta? (a começar pelo fundamental art.º 24)

5 comentários:

Carlos Portugal disse...

Excelente post, Caro Prof. LBR! Infelizmente bem ilustrativo do estado de espírito que nos assola a todos, nesta Pátria ensombrada.

Razão tinha Fernando Pessoa na sua «Mensagem»: «Ò Portugal, hoje és nevoeiro!»

Abraço.

Carreira disse...

Excelentíssimo senhor,
Criei um blogue de opinião que agora estou a divulgar.
Se tiver interesse, não deixe de fazer uma visita:

http://www.cegueiralusa.blogspot.com/

Caso goste, por favor divulgue, pois pretende ser mais um espaço de discussão em busca de uma cidadania mais activa.
O meu muito obrigado.

Com os melhores cumprimentos,
José Carreira

Carlos Portugal disse...

Caro Professor:

Quanto às repercussões legais que deveria ter a aldrabice «socrática» do seu curriculum académico, deixo-lhe apenas uma passagem de um acórdão do Tribunal da Relação de Lisboa, datado de 25 de Janeiro de 2006 (in Colectânea de Jurisprudência nº 188, Ano XXXI, Tomo I, págs. 148 e ss.):

Sumário:
«Se o trabalhador, para ser admitido na entidade empregadora, apresenta um currículo onde, FALSAMENTE, indica uma habilitação académica que não possui, tem um comportamento que constitui JUSTA CAUSA DE DESPEDIMENTO.» (sublinhado meu).

Se o comum dos mortais é despedido com justa causa por uma coisa destas, não será DE LEI «DESPEDIR» o Sr. José Sócrates?

Cumprimentos e força na luta.

Anónimo disse...

Uma breve publicada hoje na 1ª página do Expresso revela que o nosso putativo engenheiro - PM Pinto de Sousa - resolveu ser criativo e num acto de abnegação e altruísmo decidiu doar a sua medula. Um acto louvável, se efectuado no anonimato e de acordo com as boas práticas.

No entanto, os seus assessores de imagem na sofreguidão de "implementarem" estratégias de reparação de danos olvidaram um pequeno pormenor: Só são admitidos dadores maiores de 18 anos e menores do que 45 anos. Se a biografia do natural de Vilar de Maçada está correcta, o jovem voluntário já passou o prazo.

Para confirmar os requisitos de dadores de medula basta consultar:
http://www.apcl.pt/PresentationLayer/ctexto_00.aspx?ctlocalid=13

Maria.Highsmith@yahoo.com

Anónimo disse...

Cara Maria,

Faz uma boa observação, reportando-se aos requisitos etários para se poder ser dador de medula. Parece-me porém insuficiente objecção para quem, com mentalidade simplex, tem pouca paciência para formalismos como papeis, atestados, diplomas.

Mas ocorreu-me outra possível objecção, essa sim mais poderosa - porque de natureza. Na minha ignorância, receei que a colheita houvesse de ser feita na espinal medula do doador - o que naturalmente obrigaria a que este tivesse coluna vertebral. Felizmente, nas duas técnicas utilizadas as colheitas são feitas a partir de veias periféricas no braço ou dos ossos da bacia (cf. texto e referência em baixo). Posto isto, e esquecendo o "pormenor" da idade, parece que o nosso cidadão pode efectivamente doar uma parte da sua medula - tornando-se assim por sua vez credor da mesma sociedade a quem - até à medula - suga com impostos. Agradeçamos-lhe, reconhecidos, mais este sacrifício pela saúde dos portugueses, este "doar-se" inteiro ao povo. E quem sabe quantos orgãos vitais ainda poderá estar a pensar doar para "limitar os danos" na sua imagem pública.

Esperemos que os seus assessores encontrem outras formas mais criatvas e menos invasivas para levar a cabo a tal suposta "campanha de limitação dos danos". É que a julgar pela dimensão dos danos a reparar, se apostarem tudo nesta via, não sabemos se chegariam os orgãos do nosso primeiro e de todo o governo, dos ministros aos secretários de estado...

L.B.R.

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In: http://www.apcl.pt/PresentationLayer/ctexto_01.aspx?ctextoid=34&ctlocalid=13

A colheita de medula óssea poderá ser feita de duas formas diferentes.

Numa delas as células são colhidas por uma técnica chamada citaférese, na qual é possível colher as células a partir de veias periféricas no braço, num processo rápido e simples. Neste caso, o sangue retirado da veia do dador passa através de um aparelho que remove apenas as células necessárias para o transplante, devolvendo novamente as restantes células e plasma ao dador. Neste caso para que as células da medula sejam mobilizadas para a periferia é necessário que o dador faça um tratamento com injecções subcutâneas de uma substância chamada factor de crescimento. Este factor de crescimento é uma substância fisiológica que todos nós produzimos diariamente e principalmente quando é exigido ao nosso Sistema Imunitário que responda a uma infecção, por exemplo.

Na outra forma a colheita de medula óssea é feita no bloco operatório, sob anestesia, por punção dos ossos da bacia. Neste caso há que recorrer a um pequeno internamento de cerca de 24 horas. Não tem riscos para além da pequena anestesia a que é sujeito e poderá eventualmente sentir alguns incómodos no local da picada durante um ou dois dias.