quinta-feira, novembro 15, 2007

Está tudo doido...

«Correia de Campos vai mesmo apresentar uma queixa ao Ministério Público contra a Ordem dos Médicos.»

Com o governo ou o parlamento instaurado como fonte da ética e da ciência, agora tudo é possível. Amanhã obrigarão os professores a ensinar disparates contrários à ciência mas conformes à lei? Obrigarão os escritores, músicos e pintores a criar segundo os cânones estéticos pimba da IIIª República? Obrigarão os sacerdotes a pregar a "morte de Deus" no estado laico ou optar pela clandestinidade?


O sistema já não convive bem com a objecção de consciência individual. Mas quando esta é assumida colectivamente, pior. A "tolerância" dos Campos cede lugar à brutal lei da "Correia", do chicote. Enquista-se, mostra as unhas e rapidamente se transforma em totalitarismo puro! E revela também de forma eloquente quais são as prioridades do actual Ministro da Saúde - desiste de promover a saúde dos portugueses, de reduzir as longuíssimas listas de espera, de trabalhar para facilitar a acessibilidade aos medicamentos, para saldar a dívida às farmácias.

Não é surpresa. Prepara-se para repetir aqui a fórmula criminosa de outros países ditos "tolerantes". Pela nossa parte, desde Fevereiro que conhecemos a "cantiga toda", graças a uma brilhante comunicação do Prof. Jean LAFFITTE (disponível também em italiano e francês).

A táctica é simples:
  1. fazer aprovar uma lei liberalizadora do Aborto - já está!
  2. forçar a revisão/degradação do código deontológico médico transformando de um só golpe os médicos mais virtuosos em marginais - estão a tentar!
  3. tornar cada vez mais insustentável a prática da objecção de consciência aos "refractaires" (vd pág.4) (logo a seguir)
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Bem ilustrativas do processo são as citações seguintes, que esperemos despertem nos nossos leitores a curiosidade pela leitura completa do notável documento do Prof. Laffite:

Começa por apresentar a sua ideia-mestra de que uma sociedade (ou um governante) pseudo-tolerante não tolera a objecção de consciência (individual ou colectiva) posto que esta de algum modo lhe escapa ao controlo...
Depois passa a identificar alguns aspectos que a dita "tolerância" paradoxalmente não consegue tolerar: A ideia de Verdade; a tentativa da sua busca ou sequer a ideia de que aquela possa ter um carácter universal; tem mesmo de rejeitar a busca de profundidade conceptual, na medida em que esta possa ambicionar mais do que a simples troca de opiniões parciais ou relativizáveis, para tentar criar consensos a partir de critérios sólidos de Verdade. Sobretudo, não suportará as implicações éticas de uma verdadeira análise em profundidade...


Em suma, a "opinião dita-tolerante" acaba por não subsistir sem recorrer à imposição do "pensamento único" - no caso presente, sob os auspícios duma lei amoral/imoral de liberalização do aborto. A ideia é ilustrada com o exemplo da imposição da constituição de 1789 em França, com a consequente perseguição dos "réfractaires"... sob a bandeira da dita "liberté"!
Clarificado o quadro teórico, eis-nos na problemática do ataque sistemático à deontologia médica um quadro pós-legalização do aborto. Já foi assim no passado - volta a ser assim, desta vez em Portugal.


A dado passo, a medicina de menor risco é a que opta pelo aborto... É a consequência inexorável duma escolha... pró-escolha!

E a conclusão de tudo isto será a progressiva erradicação da (incómoda) objecção de consciência - primeiro colectiva, depois individual - posto que o poder "tolerante" (do sr. ministro, neste caso) tudo fará para impor a toda a sociedade os seus "valores consensuais" que, inevitavelmente, a conduzem por um caminho de morte.

1 comentário:

Carlos Alberto Videira disse...

puderão mudar as leis a seu belo prazer

mas não puderão mudar as consciências.

esse tempo já passou há muito tempo.

tempo esse que este executivo parece querer fazer voltar